A história oficial nos ensina que no dia 13 de maio de 1888 a Princesa Isabel, uma mulher branca, assinou um documento que seria considerado o marco da abolição da escravatura, dando liberdade aos pretos e pretas brasileiros.
O problema é que nem de longe esse documento tratou de questões como igualdade de direitos, menos ainda de inclusão política e social das pretas e pretos brasileiros como cidadãos e cidadãs brasileiros. Ao contrário, o documento assinado em 1888 foi um grande “lava-mãos” do Estado brasileiro quanto à questão racial.
Este descompasso entre intenção e realidade levou à criação do Dia da Consciência Negra, celebrado no dia 20 de novembro, dia da morte de Zumbi dos Palmares. A data começou a ser comemorada pelo Movimento Negro ainda na década de 1960 como forma de valorização da comunidade negra e sua contribuição histórica no país.
Desde 2011 ela está no calendário nacional e é uma oportunidade para refletir sobre as desigualdades que ainda persistem na sociedade brasileira, não mais por apenas um dia, mas por todo um mês dedicado a essa bandeira.
Desigualdade no Brasil é questão racial
Dados do IBGE comprovam que a desigualdade, no Brasil, ainda está muito ligada à questão racial.
O último censo, de 2022, mostra que as atividades com menor rendimento, como agropecuária, construção civil e serviços domésticos, tinham a maior proporção de trabalhadores pretos ou pardos.
O rendimento-hora dos homens brancos supera o dos homens pretos em todos os níveis de instrução. Entre os brancos, o valor médio era de R$3.273. Entre os pretos era de R$2.838.
A informalidade também é mais alta entre trabalhadores pretos e pardos com 40% dos homens e 46% das mulheres.
Entre os profissionais de tecnologia as diferenças são ainda mais gritantes.
Uma pesquisa divulgada em 2024 conduzida pelo IT Forum Inteligência com o Eu Capacito e o LandTECH aponta que apenas 4% dos profissionais de TI do país são pretos, enquanto 73% são brancos. No recorte por gênero, 86% são homens e 12% mulheres.
Diante desses números não podemos assumir outra postura que não a de luta, e nessa luta o TecSec tem um lado claro: precisamos reduzir a desigualdade racial no Brasil.
Temos sido muito atuantes neste sentido.
A programação do nosso podcast sempre busca dar voz a profissionais, ativistas e empreendedores pretos e pretas. Nosso objetivo com isso é dar voz a quem conseguiu quebrar as correntes da desigualdade e também inspirar ação.
Nesse artigo, queremos recordar algumas dessas conversas como uma forma de celebrar a importância da luta pela diversidade e pelo reconhecimento da força de profissionais pretos e pretas.
Junte-se a nós e espalhe a palavra. Wakanda forever!
Ruth Kaeski: “As oportunidades existem, mas elas não chegam até nós”
Ruth Kaeski abriu nossa agenda de novembro, mês da Consciência Negra, e protagonizou um papo que foi muito além da tecnologia, mas que não deixa de fazer total sentido com nossa luta.
Em sua trajetória, Ruth aprendeu sobre a importância da educação focada na gestão de negócios e sobre a necessidade vital de trabalhar a autoestima, sobretudo de mulheres pretas e periféricas.
Como fundadora da Desbravadores, Ruth criou o projeto Destrava Ai, que busca capacitar pessoas da periferia, oferecendo acesso a conhecimento e oportunidades para destravar seu potencial.
Cléber Brandão: “Sempre ouvi que eu, como negro, tinha que estar entre os melhores, porque a estrutura do racismo no mundo vai sempre nos jogar pra trás”
Durante a adolescência Cléber já sabia que queria estudar computação, mas a família precisava espremer as economias para pagar os primeiros cursos.
“Meu pai queria que eu fizesse datilografia, mas descobri um curso de informática da mesma empresa e eu sabia que aquilo era o que eu queria. Então pegava os cheques de um curso e pagava o outro. Meus pais ficaram bravos, mas entenderam que era o que eu queria fazer”
A partir daí vieram os cursos de Office, e programação em Clipper: a partir daí, Cléber foi de professor a analista de suporte, analista de cibersegurança e atualmente é head de engenharia cibernética.
Tassya de Paula: “Diversidade e inclusão precisam fluir juntas. Fazer diferente depende de perspectivas diferentes”
Tassya de Paula é professora, mentora, gerente de pessoas e cultura e especialista em diversidade e inclusão. Ela gosta de se apresentar como “a terceira filha de um casal de pretos da periferia de SP” porque “isso marca muito sobre quem eu sou”.
Sua jornada começa no telemarketing e leva à graduação quando teve o primeiro cargo de supervisão e pode acessar o ensino superior. A trajetória acadêmica apontou o caminho para a gestão de pessoas e cultura. Diversidade e inclusão estão no seu DNA e na sua carreira.
Juliano Pereira: “A Tecnologia precisa cruzar a ponte”
Juliano é CTO. Com formação na USP e no MIT, ele tem na sua bagagem temas como gestão, educação, representatividade e IA.
Para ele o grande desafio da inclusão é mudar a chave de que o negro tem acesso à tecnologia como consumidor apenas para se tornar produtor de tecnologia: “é ai que nós somos muito excluídos ainda. é aí que a tecnologia precisa cruzar a ponte”.

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